quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Twilight


(Ante) estreou hoje o filme "Crepúsculo", uma esperada nova saga juvenil que aborda o já tão clássico vampirismo, de uma forma mais ligeira e menos gráfica do que o habitual.
É uma abordagem concebida para o público-alvo definido, os jovens! Retirou-se por isso qualquer aspecto gráfico mais chocante, não havendo jactos de sangue ou garras afiadas, estacas no coração e afins. O filme foge aliás, de vários dos conceitos pré-definidos e aceites para este género, demasiado até...o Sol, o alho, as cruzes, deixaram de fazer parte deste universo que se concentra acima de tudo na beleza da condição vampírica e na sua relação com o homem. É acima de tudo um romance e é como tal que deve ser encarado.
O filme é uma adaptação da saga da escritora Stephenie Meyer, que escreveu 4 livros de fantasia sobre as aventuras de Isabella "Bella" Swan e Edward Cullen, que vendeu já mais de 25 milhões de cópias por todo o mundo e foi traduzido para 37 línguas.

Quanto ao filme em si, este nem sempre produz o efeito desejado, faltando entrosamento em algumas cenas e ficando desde o início patente alguma falta de profundidade tanto ao nível das personagens como da narrativa. Também os efeitos visuais, apesar de competentes e de produzirem o efeito desejado (criarem o ambiente adequado e darem credibilidade q.b. às personagens) estão longe de deslumbrar ou de se equipararem a outros produzidos em filmes do mesmo género.

O filme, tem no entanto as suas virtudes, ao levar o espectador para um ambiente mistico-juvenil que, apesar das falhas apontadas, vai produzindo os seus resultados. É, como disse no início, um filme acima de tudo para um público mais jovem ou para aqueles que nunca deixaram de sonhar com a vida eterna e beleza constante.

Toda a acção é desenrolada com base nos seus principais personagens, cuidadosamente escolhidos para agradarem aos mais jovens pelos atributos geralmente procurados e idolatrados por estes, e colocada em cena com o cuidado da apresentação visual ser sempre mística e cativante, recorrendo geralmente a imagens estilizadas. A empatia com o público é, no entanto, conseguida quase na plenitude, visto que a história se centra num grupo estudantil de fácil identificação para a maioria dos jovens, no qual se procura definir, em cada um dos seus membros, os diversos estereótipos destes grupos, de forma adaptada à natureza da história, claro.

Uma das suas principais armas é justamente ter bem definido o público-alvo e não procurar ser mais ambicioso do que o pode, ou seja, ser sucedido em campos em que à partida estava condenado, abdicando de abordar e aprofundar temáticas que seriam certamente incompatíveis com a história central que se procura narrar.
É, como inicialmente tinha indicado, uma história de amor. E que história de amor é mais intemporal do que a de um Vampiro com uma humana...
É uma abordagem romântica clássica mas, com laivos de modernidade o que diga-se que...resulta. É igualmente uma abordagem ingénua e simplista, o que é, novamente, uma das suas armas, pois mais uma vez evita o pretensiosismo de chegar mais longe do que podia (ou devia, considerando o público alvo) e passa a mensagem a que se propõe. Chega a ser tão simplista que surpreende mesmo por isso, por ter uma abordagem tão linear e directa. Não nos esqueçamos que, tratando-se de um filme de ficção, quase todos os devaneios são permitidos, desde que devidamente contextualizados (apesar de uma das suas maiores, mas talvez necessárias, falhas seja a de procurar contrariar os dagmas associados aos vampiros).

No geral, o filme é bem-sucedido e dá o que se espera dele, desde que se saiba para o que se foi...

Sem comentários: